terça-feira, 16 de dezembro de 2014

QUANDO VEJO VOCÊ


Quando vejo  você  Escada

Assim, tão  distante

Descortinada 

Doce e  murmurante

Plácida, ensolarada

Beijando as  águas  do  rio 

Deitada em  teu  descanso

Vendo as  águas  passar

Passam também  minhas  lembranças

 Meus rios de  infância

Saudades...

Que eu  deixei  lá

Ant. Andrade

AGO,2013

PONTO DE PARTIDA


Por  onde  anda  a  vida?

Por  onde  andam  minhas  viagens  perdidas?

Por  onde  anda  você?

Meu  ponto  de  partida.

Ant.  Andrade

MAI,  2013

PERTINHO DE VOCÊ


Bem pertinho  de  você...

Até sinto  seu  cheiro

E  você  nem  me vê


Ant.Andrade

DEZ,2014

PERFUME DE POESIA


Sejas lúcida

Viva ou  até  vazia

Saudosa,  atual

Ou cheia  de  melancolia...

Me  tragam  flores  na  boca

Cheirando alecrim

Cravo, rosa  ou  jasmim...

Pura fantasia

Retalhos que  se  grudam

Em forte  alegria...

Mosaicos de  fores  que  se  formam

Cheirando... à poesia...

  Ant.Andrade          
ABR,2013

NASCI PRA VIVER

Ah !!!!
Eu nasci  pra  viver
Pra magoar  você
Eu mato  sem  raiva  amor
Eu choro  sem  sofrer


Ah !!!!
Eu nasci par  viver
Pra magoar você
Eu choro  sem  lágrima  amor
Eu  sonho  sem  dormir


Eu vim 
Lá do  fundo  do  poço
Das águas  negras  sem  gosto
Da cascata  do  teu  fim


E foi  de  lá
Do fundo  do  teu  poço
Que eu  trouxe  no  bolço
Uma pedra  e  um  jasmim
Pernambuco,  Ant.
1975

CURVAS E CARINHOS


Mulheres  dos  meus  caminhos

Que com  o  seu  jeitinho

Tudo perfumam

Todo concertam

E que  eu  guardo  pedacinho  por  pedacinho

Coloriram, toda  minha  estrada

Com as  curvas  dos  seus  carinhos




Pernambuco,  Ant.

MAR,2014

CHEIRO MORENO


Um cheiro  moreno

Rasgou o  luar

E feito  noite

Caiu sobre  o  mundo

Sorriu suave

Docemente leve

Me  convidando  pra  dançar

E a  noite  se  fez  festa

Dançamos sem  parar

Eu e  o  teu  sorriso

Que docemente  cheirava

Um cheiro  moreno

Que toda  rua  perfumava



Pernambuco,  Ant.

DEZ,2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A LUZ E AS FLORES



Quando  a  luz

Ilumina  as  flores

As  flores

Perfumam 

A  luz



Ant.  Andrade
AGO,  2014

MENINA DE OLINDA


Eu  te  vejo  menina
Iguais  aos  frutos  de  Olinda
Sabores  rasgados 
Desfrutados  nas  esquinas
Das  janelas  noturnas
Dos  meus  olhos  esfomeados
Vendo  o  teu  corpo  molhado
Grudado  em  tua  saia
Dançar suave feito  bailarina
Os  paços de  um  frevo-canção


Eu  te  vejo  menina
Iguais  as  cores  de  Olinda
Nos  pinceis  de  Bajado
Retrato  da  mais  pura  beleza
Que  meu  coração  corteja
E  sem  governo
Tudo  em  mim  se  entranha
Do  mais  profundo  desejo
De  viver  toda  uma  vida
Grudado  no  amaço  do  teu  beijo




Ant.  Andrade

SET,  2014

NESSE CASARÃO


Era  uma  vez  um  Grupo  Escolar
Um  casarão
Todo  pintado  de  amarelo
Que  sempre  me  chamava  atenção
Tem  um  nome  pomposo
E  pelo  seu  tamanho
Beleza  e  grandeza
Só  sendo  casa  de  Barão...
Minha  escola  querida
Do  jardim  da  minha  vida
Meu  A, B, C  de  infância
Que  ainda  guardo  na  lembrança
Dos  rabiscos  sem  jeito,  imperfeitos 
Das  minhas  mãos  de  criança...
Como  traduzir  em  leitura
Um  sentimento  de  saudade
Adormecido  e  gostoso
Como  quem  tira  pipoca,  confeito
Ou  um  lanche  gostoso
Guardado  no  fundo  de  uma  bolça
Uma  bolça  escolar...
Escola  particular  não  era  páreo
Para o  ensino  do  Grupo  Escolar  Barão  de  Suassuna...
Tamanha  a  dedicação  e  zelo
De  todos  que  ali  passaram
Ensinaram,  construíram...
Aprenderam



Ant.  Andrade

JUN,  2014

NOCA

                                              

                                              Eu  fui   a  casa   de   Noca
                                          Não    encontre    ninguém    lá
                                               Só  encontrei  um  recado

                                                         Me  pintei
                                                Coloquei  a  peruca
                                                             Parti...
                                                      Fui  ser  Feliz!
                                                              Noca


Ant.  Andrade
Set,  2014                             

OS BRAÇOS DO CORAÇÃO


Os  braços
    Foram  feitos  para  o  abraço
        No  abraço
             O  tamanho  do  amor
                 Dos  meus  braços 
                     Vai  além  da  razão

O  abraço
    Multiplica  a  emoção
         Afaga  uma  perda
             Dá  e  acolhe  o  perdão
                 O  abraço
                     São  os  braços  do  coração



Ant.  Andrade

Set,  2014

SEMPRE GARIMPANDO




Estou  sempre  garimpando

        Procurando   

                Buscando

                        Risos  e  sorrisos

                        Só  pra  te  agradar

                E  a  lua  enfeitiçar





Ant.  Andrade

JUN,  2014

SILÊNCIO AMIGO



Meus  segredos
Vão  morrer  comigo
Meus  perfumes
Meus  abrigos
Serão  meu  colo
Meu  silêncio  amigo



Ant.  Andrade

SET,  2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

VIRTUOSIDADES DO AMIGO ADRIANO


Escritor,  poeta  e  amante
Apreciador  de  iguarias
Também  um  grande  cozinheiro
Prepara  qualquer  tipo  de  prato  francês
Chantê,  Derriêr  e  o  Boucur
Na  salada  um  assombro
Tomate,  alface,  acelga  e  cheiro  verde
Abacate,  manga  e  abacaxi
Melão,  uva  e  oiti
Pratos  requintados
Cheirosos  como  nunca  vi
Frutos  do  mar
Com  o  seus  preparos
Se  tornam  poemas...
Delicados  encontros  de  enamorados...
Tudo  que  faz  é  perfeito
Sempre  no  imperativo
Nas  letras  e  na  cozinha
Nada  escapa  ao  belo
Tudo  é  saboroso
Do  exótico  ao  singelo
O  que  Adriano  faz...
Sempre  queremos  mais



Ant.  Andrade

JUN,  2014

A ARTE



A  arte  engoliu  seu  criador
Tornou-se  gigante
Impiedosamente  bela
Exuberante
Maquiavélica
Traiçoeira  e  venenosa  
Não  se  escravize  dela



Ant.  Andrade
AGO,  2014

VOLTAR PRA CASA


Aos  amigos  que  encontrei
Aos  amigos  que  não  fiz
A  todos  que  conheci  e  amei
Os  que  não  amei
Me  perdoem
Aceitem  meu  abraço
E  voltem  sempre  par  casa
Assim,  feito  querubins
Voltem...
Como  eu  sempre  faço


Ant.  Andrade
AGO,  2014

MINHAS JANELAS


Nas  janelas  do  meu  coração
Se  mostram  os  verdadeiros  tesouros
Que  a  vida  nos  revela
Estampados  um  a  um
Em  nossas  janelas...
Uma  esperança
Uma  lembrança
Amigos  de  infância
Que  desejo  abraçar
São  janelas  que  eu  guardo...
Janelas...
Que  não  quero  fechar


Ant.  Andrade
MAI,  2014

CAITANA PERNAMBUCANA


Caitana  é  o  nome  dela
Que  Ariano  batizou
Ela  é  a  morte  em  pessoa
De  João  Pessoa
Das  Carpinas
Sejam  grandes
Ou  pequeninas
Ela  vem
E  como  ave  de  rapina
Desaparece...
Sempre  carregando  alguém


Compadre  Bento
Cadê  Ariano?
Menino...!
Ninguém  te  contou?
Foi  Caitana
Veio  aqui
E  o  levou



Ant.  Andrade
AGO,  2014

OS TRÊS ROSÁRIOS


Vocês,  contas  do  meu  rosário...
São  meus  rosários  de  motivos
Que  só  me  faz  bem
Vocês  são  rosas
Flores  em  meu  diário
Rosas  de  um  rosário
Que  aumentam  o  meu  gostar...
Rosário  que  não  se  desfaz
É  Rosário  Vaz
O  que  se  faz 
Em  cada  conta  fervorosa
É  Rosário  Barbosa
E das  três 
Existe  o  rosário 
Em  que  se  fecha
Rosário  que  dá  nó
Me  abraça  e  arrocha
É  Rosário  Rocha
Rosário  de  um  diário
Que  não  sei  terminar
E  nesse  poema  sem  fim
Me  entrego...
Nos  abraços  de  um  abraço
Onde  mato  meu  cansaço
Com  quem  só  tem
Amor  pra  dar



Ant.  Andrade
MAR,  2014

GENTE DA GENTE


Tenho  um  orgulho  danado
De  ser  Pernambuco
Poeta  e  Escadense
Ser  gente  da  gente
Que  tropeça,  cai
E  segue  em  frente


Meu  tesouro  é  você
É  João,  é  Maria
O  varredor,  o  doutor
O  que  enxerga 
E  o  que  não  vê 
O  mudo  e  o  falador


É  gente  igual  a  gente
O  que  tem  cachola
E  o  que  não  tem
Gente  que  sofre
Ri  e  chora
Quebra  a  cara
Junta  os  cacos ...
Se  desempena
Se  apruma 
E  toma  rumo
É  gente  que  segue...
É  gente  do  meu  Pernambuco
É  gente  da  gente



Ant.  Andrade
JUL,  2014

domingo, 6 de julho de 2014

METADE NUA DA LUA

 
O  que  seria?
Se  o  amor 
Não  fosse  madrugada
Nem  fosse  noite...
 
O  que  seria?
Se  na  lua
Não  tivesse
Sua  metade  nua...
E  a  porta  que  me  abrisse
Não  fosse  a  tua
 
O  que  seria...?
 
Ant.  Andrade
JUN,  2014

TUDO MORRE


As  folhas  do  outono  caem
Para  florir  a  primavera
As  flores  da  primavera  murcham
E  frutificam  o  verão

 

As  águas  do  inverno  caem
E  dão  de  beber  à  terra...
Terra  embriagada
Terra  embebida...

 

Tudo  morre...
Para  renovar  a  vida



Ant.  Andrade
JUN,  2014

UMA CHAMA ENCANTADA


 

Existe  uma  chama  encantada

Guardada  dentro  do peito

Chama  que  se  esconde

No  lado  direito  do  coração

Chama  que  queima

Toda  mágoa

E  desafia  a razão 

Liberta,  ela  brilha

E  varre  feito  furação

É  chama  purificada

Que  se  chama  de  perdão

 

 
Ant.  Andrade
JUN,  2014

MARIA

 
De  fato

Era  boato

O  que  o  João  falou

  dor  de  Maria

  flor  que  morria

 

 
Agora 

Onde  a  tristeza   bate

E  a  dor  não  passa

De  longe  a  fumaça

Vem  me  abraçar

 

 
Maria

Não  sofria

  ria

Do  hoje  e  do  amanhã

Maria  sem  mais  pra  fazer

Vai  rir  até  sofrer

 

Ant.  Andrade
1978

DOCE BEIJO


 
E  a  noite  se  fez  morena
Se  perfumou
Feito  açucena
Se  abriu 
Em  sorriso
Quando  te  viu...
Morenando  a  lua
Embelezando  a  rua
Me  sorriu  feito  louca
  pra  revelar
O  doce  beijo
Que  guardas  em  tua  boca


Ant.  Andrade
JUN,  2014

DA PAZ E DAS DÔ


 
E  apesar, das Dô!
 
E  apesar,  da Paz!
 
Os  erros  do  mundo
 
Corroem...  constroem...
 
Todo  o  bem  que  se  faz
 
 
Ant. Andrade
AGO,  2014

terça-feira, 6 de maio de 2014

O POETA



O  poeta  tudo  pode

Ele  entra  por  onde  não  devia

E  sai  quando  não  deveria...

O  poeta  apenas  cita

O que a poesia lhe conta

Lhe sussurra

Lhe encanta.


Ant. Andrade

JAN,  2014

FLECHA AO VENTO


É  uma  pena  que  os  poetas  morram

E  ao  morrerem

Enterrem  também  nossos  corações...

Porém  cada  palavra  dita

Deixada  em  forma  de  poesia

Será  flecha  atirada  ao  vento

Que  a  cada  momento

Fará  brotar  nos  corações  dos  amantes

E  dos  poetas  restantes

Os  mais  belos  sonetos  de  antes...

Antes,  que  os  poetas  morram

E  se  fechem  as  janelas   do  firmamento...





Ant.  Andrade

ABR,  2014

EVOLUÇÃO



Tudo  está  em  movimento

Tudo  é  plena  transformação

O  mundo  segue  girando

E  girando  estamos  nos...

A  vida  repleta  de  giros

Renasce  e  se  destrói

E  a  cada  ciclo  do  seu  giro

A  evolução  se  constrói

No  mundo  e  no  resto  do  mundo

Em  cada  palmo  de  chão

A  evolução

Segue,  sorrateira

Em  busca  da  perfeição

Que  de  milagre  em  milagre

Vem  repetir  em  cada  mundo

O  milagre  da  criação



Ant.  Andrade

JAN,  2014

EU NÃO SEI



Eu  não  sei  quais  as  palavras

São  as  mais  doces

Se  aquelas

Do  tempo  da  minha  juventude

Que  com  determinação  e  vigor

Tudo  realizava

Tudo  transformava...

Ou  as  palavras  ditas  hoje...

Que  me  revelam

Todos  os  sabores...

Todos  os  amores...



Ant.  Andrade.

JUL,  2013

DANÇA DA MADRUGADA


Fico  parado
Hipnotizado  no  tempo
Vendo  a  madrugada  chegar
Entrar  de  porta  adentro 
Me  chamando  pra  dançar...
Embora  não  queira


A  madrugada  dança
Me  ponteiam  seus  chicotes
Me  cortam  a  carne
Me  ferem  a  alma
Que  dança  e  sapateia...
Embora  não  queira


Dança,  dança,  madrugada
Como  se  fosse  a  última  amada
Que  me  dá  sua  mão
E  me  toma  feito  louca
Como  quem  bebe  uma  canção...
Embora  não  queira


Embora  não  queira...
Dança  minha  alma
Dança  a  madrugada
Freneticamente  agarradas
Minha  alma...  embriagada...
Nos  braços,  da  madrugada...





Ant.  Andrade

ABR,  2014

AMORES


Benditas  as  vozes
Que  cantam o  amor
Seja  de  madrugada
Seja  quando  e  aonde  for...



Amores  que  me  guiam
Me  tonteiam...
Amores  que  buscam 
Novos  caminhos...
Amores  que  ditam
Gritam...
Não  quero  ficar  sozinho




Ant.  Andrade

Jan,  2014

ÁGUAS DE GAIBÚ




Águas  do  mar  me  revelam
Do  quanto  é  doce  o  sabor 
De  poder  salgar  a  terra...
És  assim,  murmurantes...
Em  ondas  tu  vens
Me  fazes  carinho
Me  beijas  as  pedras
Me  feres  a  terra


Nos  teus  arroubos 
Me  dás  tapas
Me  esbofeteias  até
E  eu  te  recebo
Me  entrego  aos  teus  aconchegos
Desse  teu  modo  de  ser


Entre  coqueiros  te  namoro...
Na  espreita  das  tuas  belezas
Me delicio  mordendo  um  delicioso  caju
E  ao  escutar  tua  rizada
Me  jogo  nas  tuas  águas
Nas  águas  do  mar
Da  praia  de  Gaibú



Ant.  Andrade

ABR,  2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

POESIA DO PERDÃO


No  que se  faz  festa
A  poesia  se  revela
E  dela  se  encerra
O  que  não  se  espera...
Em  cada  um  de  nos
Seja  dela  finita  ou  infinita
Se  guardada  no  coração
Não  será  mais  ilusão...
E  toda  revelação  será  festa
Na  alegria  do  perdão


Ant.  Andrade

JAN,  2014

NÃO MATE SEU CORAÇÃO



Dê  um  tempo  ao  seu  coração

Não  sejas  ríspido  com  ele

O  coração  desconhece  a  razão

O  coração  ama




Dê  um  tempo  ao  seu  coração

Pra  que  ele  possa  beber

Solver  a  emoção

        “Navegar  é  preciso”

Diz  o  poeta

Navegue  então

E  não  mate  seu  coração




Ant.  Andrade
FEV,  2014