quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A LUZ E AS FLORES



Quando  a  luz

Ilumina  as  flores

As  flores

Perfumam 

A  luz



Ant.  Andrade
AGO,  2014

MENINA DE OLINDA


Eu  te  vejo  menina
Iguais  aos  frutos  de  Olinda
Sabores  rasgados 
Desfrutados  nas  esquinas
Das  janelas  noturnas
Dos  meus  olhos  esfomeados
Vendo  o  teu  corpo  molhado
Grudado  em  tua  saia
Dançar suave feito  bailarina
Os  paços de  um  frevo-canção


Eu  te  vejo  menina
Iguais  as  cores  de  Olinda
Nos  pinceis  de  Bajado
Retrato  da  mais  pura  beleza
Que  meu  coração  corteja
E  sem  governo
Tudo  em  mim  se  entranha
Do  mais  profundo  desejo
De  viver  toda  uma  vida
Grudado  no  amaço  do  teu  beijo




Ant.  Andrade

SET,  2014

NESSE CASARÃO


Era  uma  vez  um  Grupo  Escolar
Um  casarão
Todo  pintado  de  amarelo
Que  sempre  me  chamava  atenção
Tem  um  nome  pomposo
E  pelo  seu  tamanho
Beleza  e  grandeza
Só  sendo  casa  de  Barão...
Minha  escola  querida
Do  jardim  da  minha  vida
Meu  A, B, C  de  infância
Que  ainda  guardo  na  lembrança
Dos  rabiscos  sem  jeito,  imperfeitos 
Das  minhas  mãos  de  criança...
Como  traduzir  em  leitura
Um  sentimento  de  saudade
Adormecido  e  gostoso
Como  quem  tira  pipoca,  confeito
Ou  um  lanche  gostoso
Guardado  no  fundo  de  uma  bolça
Uma  bolça  escolar...
Escola  particular  não  era  páreo
Para o  ensino  do  Grupo  Escolar  Barão  de  Suassuna...
Tamanha  a  dedicação  e  zelo
De  todos  que  ali  passaram
Ensinaram,  construíram...
Aprenderam



Ant.  Andrade

JUN,  2014

NOCA

                                              

                                              Eu  fui   a  casa   de   Noca
                                          Não    encontre    ninguém    lá
                                               Só  encontrei  um  recado

                                                         Me  pintei
                                                Coloquei  a  peruca
                                                             Parti...
                                                      Fui  ser  Feliz!
                                                              Noca


Ant.  Andrade
Set,  2014                             

OS BRAÇOS DO CORAÇÃO


Os  braços
    Foram  feitos  para  o  abraço
        No  abraço
             O  tamanho  do  amor
                 Dos  meus  braços 
                     Vai  além  da  razão

O  abraço
    Multiplica  a  emoção
         Afaga  uma  perda
             Dá  e  acolhe  o  perdão
                 O  abraço
                     São  os  braços  do  coração



Ant.  Andrade

Set,  2014

SEMPRE GARIMPANDO




Estou  sempre  garimpando

        Procurando   

                Buscando

                        Risos  e  sorrisos

                        Só  pra  te  agradar

                E  a  lua  enfeitiçar





Ant.  Andrade

JUN,  2014

SILÊNCIO AMIGO



Meus  segredos
Vão  morrer  comigo
Meus  perfumes
Meus  abrigos
Serão  meu  colo
Meu  silêncio  amigo



Ant.  Andrade

SET,  2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

VIRTUOSIDADES DO AMIGO ADRIANO


Escritor,  poeta  e  amante
Apreciador  de  iguarias
Também  um  grande  cozinheiro
Prepara  qualquer  tipo  de  prato  francês
Chantê,  Derriêr  e  o  Boucur
Na  salada  um  assombro
Tomate,  alface,  acelga  e  cheiro  verde
Abacate,  manga  e  abacaxi
Melão,  uva  e  oiti
Pratos  requintados
Cheirosos  como  nunca  vi
Frutos  do  mar
Com  o  seus  preparos
Se  tornam  poemas...
Delicados  encontros  de  enamorados...
Tudo  que  faz  é  perfeito
Sempre  no  imperativo
Nas  letras  e  na  cozinha
Nada  escapa  ao  belo
Tudo  é  saboroso
Do  exótico  ao  singelo
O  que  Adriano  faz...
Sempre  queremos  mais



Ant.  Andrade

JUN,  2014

A ARTE



A  arte  engoliu  seu  criador
Tornou-se  gigante
Impiedosamente  bela
Exuberante
Maquiavélica
Traiçoeira  e  venenosa  
Não  se  escravize  dela



Ant.  Andrade
AGO,  2014

VOLTAR PRA CASA


Aos  amigos  que  encontrei
Aos  amigos  que  não  fiz
A  todos  que  conheci  e  amei
Os  que  não  amei
Me  perdoem
Aceitem  meu  abraço
E  voltem  sempre  par  casa
Assim,  feito  querubins
Voltem...
Como  eu  sempre  faço


Ant.  Andrade
AGO,  2014

MINHAS JANELAS


Nas  janelas  do  meu  coração
Se  mostram  os  verdadeiros  tesouros
Que  a  vida  nos  revela
Estampados  um  a  um
Em  nossas  janelas...
Uma  esperança
Uma  lembrança
Amigos  de  infância
Que  desejo  abraçar
São  janelas  que  eu  guardo...
Janelas...
Que  não  quero  fechar


Ant.  Andrade
MAI,  2014

CAITANA PERNAMBUCANA


Caitana  é  o  nome  dela
Que  Ariano  batizou
Ela  é  a  morte  em  pessoa
De  João  Pessoa
Das  Carpinas
Sejam  grandes
Ou  pequeninas
Ela  vem
E  como  ave  de  rapina
Desaparece...
Sempre  carregando  alguém


Compadre  Bento
Cadê  Ariano?
Menino...!
Ninguém  te  contou?
Foi  Caitana
Veio  aqui
E  o  levou



Ant.  Andrade
AGO,  2014

OS TRÊS ROSÁRIOS


Vocês,  contas  do  meu  rosário...
São  meus  rosários  de  motivos
Que  só  me  faz  bem
Vocês  são  rosas
Flores  em  meu  diário
Rosas  de  um  rosário
Que  aumentam  o  meu  gostar...
Rosário  que  não  se  desfaz
É  Rosário  Vaz
O  que  se  faz 
Em  cada  conta  fervorosa
É  Rosário  Barbosa
E das  três 
Existe  o  rosário 
Em  que  se  fecha
Rosário  que  dá  nó
Me  abraça  e  arrocha
É  Rosário  Rocha
Rosário  de  um  diário
Que  não  sei  terminar
E  nesse  poema  sem  fim
Me  entrego...
Nos  abraços  de  um  abraço
Onde  mato  meu  cansaço
Com  quem  só  tem
Amor  pra  dar



Ant.  Andrade
MAR,  2014

GENTE DA GENTE


Tenho  um  orgulho  danado
De  ser  Pernambuco
Poeta  e  Escadense
Ser  gente  da  gente
Que  tropeça,  cai
E  segue  em  frente


Meu  tesouro  é  você
É  João,  é  Maria
O  varredor,  o  doutor
O  que  enxerga 
E  o  que  não  vê 
O  mudo  e  o  falador


É  gente  igual  a  gente
O  que  tem  cachola
E  o  que  não  tem
Gente  que  sofre
Ri  e  chora
Quebra  a  cara
Junta  os  cacos ...
Se  desempena
Se  apruma 
E  toma  rumo
É  gente  que  segue...
É  gente  do  meu  Pernambuco
É  gente  da  gente



Ant.  Andrade
JUL,  2014

domingo, 6 de julho de 2014

METADE NUA DA LUA

 
O  que  seria?
Se  o  amor 
Não  fosse  madrugada
Nem  fosse  noite...
 
O  que  seria?
Se  na  lua
Não  tivesse
Sua  metade  nua...
E  a  porta  que  me  abrisse
Não  fosse  a  tua
 
O  que  seria...?
 
Ant.  Andrade
JUN,  2014

TUDO MORRE


As  folhas  do  outono  caem
Para  florir  a  primavera
As  flores  da  primavera  murcham
E  frutificam  o  verão

 

As  águas  do  inverno  caem
E  dão  de  beber  à  terra...
Terra  embriagada
Terra  embebida...

 

Tudo  morre...
Para  renovar  a  vida



Ant.  Andrade
JUN,  2014

UMA CHAMA ENCANTADA


 

Existe  uma  chama  encantada

Guardada  dentro  do peito

Chama  que  se  esconde

No  lado  direito  do  coração

Chama  que  queima

Toda  mágoa

E  desafia  a razão 

Liberta,  ela  brilha

E  varre  feito  furação

É  chama  purificada

Que  se  chama  de  perdão

 

 
Ant.  Andrade
JUN,  2014

MARIA

 
De  fato

Era  boato

O  que  o  João  falou

  dor  de  Maria

  flor  que  morria

 

 
Agora 

Onde  a  tristeza   bate

E  a  dor  não  passa

De  longe  a  fumaça

Vem  me  abraçar

 

 
Maria

Não  sofria

  ria

Do  hoje  e  do  amanhã

Maria  sem  mais  pra  fazer

Vai  rir  até  sofrer

 

Ant.  Andrade
1978

DOCE BEIJO


 
E  a  noite  se  fez  morena
Se  perfumou
Feito  açucena
Se  abriu 
Em  sorriso
Quando  te  viu...
Morenando  a  lua
Embelezando  a  rua
Me  sorriu  feito  louca
  pra  revelar
O  doce  beijo
Que  guardas  em  tua  boca


Ant.  Andrade
JUN,  2014

DA PAZ E DAS DÔ


 
E  apesar, das Dô!
 
E  apesar,  da Paz!
 
Os  erros  do  mundo
 
Corroem...  constroem...
 
Todo  o  bem  que  se  faz
 
 
Ant. Andrade
AGO,  2014